“Bala na polícia, pai”: áudios e vídeos expõem deboche de criminosos

São Paulo — A Baixada Santista se notabilizou nos últimos meses por ser o palco de uma guerra entre as forças de segurança e o crime organizado. A região é um ponto estratégico para o Primeiro Comando da Capital (PCC) enviar cocaína para a Europa por meio do Porto de Santos.

Com o argumento de sufocar o tráfico internacional de drogas, a Secretaria da Segurança Pública (SSP) reforçou a presença de policiais na região, acirrando ainda mais os ânimos com a facção criminosa, que além dos crimes comuns, também promove atentados contra agentes do Estado.

Durante um desses ataques, o celular de um soldado do PCC foi esquecido ao lado do carro usado no atentado e apreendido pela polícia. No aparelho, foram encontrados áudios e vídeos que revelam os bastidores do crime na Baixada Santista.


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O dono do aparelho é Ronaldi Lins dos Santos, de 22 anos, apontado como soldado do PCC na região. Ele foi reconhecido e está preso por atirar, de fuzil, contra os PMs Najara Fátima Gomes e José Augusto Rodrigues, em 1º/8 do ano passado, no bairro Campo Grande. Os dois policiais sobreviveram.

Além de ligá-lo à tentativa de homicídio dos dois PMs, a apreensão do celular ajudou a identificá-lo como autor de roubos, tráfico de drogas e associação criminosa. Tudo com base em áudios de WhatsApp trocados com outros criminosos e vídeos armazenados no aparelho, no qual eles debocham da polícia (veja abaixo).

Roubo com fuzil

Um dos casos gravados ocorreu em maio de 2023. quando o grupo de Ronaldi roubou dois carros em série, usando fuzis e vestindo capuzes.

Após os dois roubos, Ronaldi seguiu para o Morro São Bento, onde afirma nos áudios ter trocado tiros com policiais que patrulhavam a região (ouça abaixo).

“Os caras [PMs] foram lá, apareceu correndo [sic] … dei uma pá de tiro, filhote. Acabei de meter bala nos caras [PM] ‘fio’, Agora, na Força [Tática] ‘fio. É bala na polícia aqui, pai, aqui é daquele jeitão”.

 

Outros crimes

Três dias depois de roubar os dois veículos, Ronaldi participou do assalto de outro carro e compartilhou com um comparsa fotos do celular da vítima, também levado por ele.

No último dia de maio do ano passado, Ronaldi encaminhou uma mensagem de voz, na qual afirma que planejava jogar granadas em uma delegacia do litoral. Isso seria uma suposta represália à prisão de um comparsa, segundo inquérito da Polícia Civil, obtido pelo Metrópoles.

No áudio  ele ressalta inclusive ter sido autorizado a realizar o ataque pelos “irmãos” do PCC.

No celular apreendido, a polícia localizou também provas sobre a contabilidade realizada pelo tráfico de drogas, além de muitas fotos de Ronaldi ostentando armamento pesado, juntamente com outros bandidos, já identificados.

Há um vídeo, inclusive, no qual o criminoso aparece com uma pistola, na qual há o brasão da Polícia Civil de São Paulo. “Olha a [pistola] Glock da polícia”, ressalta Ronaldi.

Vídeo

 

 

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