O empréstimo que pesa no bolso e no futuro do trabalhador brasileiro

O empréstimo consignado para trabalhadores sob o regime CLT está sendo anunciado como uma solução rápida e eficaz para quem enfrenta dificuldades financeiras. Contudo, por trás dessa aparente facilidade, há uma série de armadilhas que comprometem não apenas o presente, mas também o futuro do trabalhador.

Além dos altos juros e do desconto direto na folha de pagamento, outra prática controversa nesse tipo de crédito é o uso do FGTS como garantia. O Fundo de Garantia por Tempo de Serviço, criado para proteger o trabalhador em caso de demissão sem justa causa e para auxiliar na realização de sonhos como a casa própria, acaba sendo comprometido em situações de inadimplência no empréstimo consignado. Ou seja, o trabalhador não só fica sem parte do seu salário mensal, mas também corre o risco de perder uma reserva importante que deveria estar protegida para emergências ou objetivos maiores.

O que torna essa situação ainda mais preocupante é o papel do governo nesse processo. Ao permitir que o FGTS seja utilizado como garantia, o governo está, na prática, usando o dinheiro do próprio povo para aplicar juros sobre ele. É como se o trabalhador estivesse pagando para usar o que já é seu por direito. Essa lógica distorcida levanta questões sobre a real função do FGTS e sobre a responsabilidade do governo em proteger os interesses dos trabalhadores.

Por exemplo, Maria, que trabalha como auxiliar administrativa, recorre ao consignado para quitar dívidas inesperadas. No entanto, ao não conseguir pagar todas as parcelas, viu parte de seu FGTS ser utilizado para cobrir o débito. Assim, Maria perdeu uma segurança financeira essencial, ficando vulnerável em caso de demissão ou necessidade urgente no futuro.

Comparando, enquanto o cartão de crédito tem juros absurdos, a perda do FGTS no consignado é desoladora, pois afeta diretamente o patrimônio do trabalhador. Nesse contexto, o empréstimo consignado cria uma falsa sensação de segurança, quando na verdade pode acabar destruindo a estabilidade financeira que tantos lutam para conquistar.

Como diz o velho ditado: “Está vendendo o almoço para pagar a janta.” Com o FGTS em jogo, o trabalhador está literalmente sacrificando o futuro para tentar sobreviver ao presente.

É fundamental que haja maior transparência na relação entre bancos, governo e trabalhadores, especialmente no uso de recursos tão importantes como o FGTS. Antes de recorrer ao empréstimo consignado, é crucial que o trabalhador analise com atenção todas as condições, os impactos no salário e, principalmente, no seu futuro financeiro.

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