Brasília – O presidente Luiz Inácio Lula da Silva deve oficializar nos próximos dias o nome de Guilherme Boulos (PSOL-SP) para a Secretaria-Geral da Presidência, um dos cargos mais estratégicos do Planalto. A movimentação, revelada pela jornalista Mônica Bergamo, ocorre após o retorno da comitiva presidencial do Uruguai, onde Lula participou do velório do histórico ex-presidente Pepe Mujica.
Embora o convite ainda não tenha sido formalizado, a escolha é tratada como praticamente certa nos bastidores. A indicação de Boulos, figura central da esquerda brasileira, pode dar novo fôlego político ao governo, mas também causa azia em setores mais moderados da base — que veem na ousadia de Lula um risco calculado e, talvez, necessário.
Lula testa reações antes de bater o martelo
O presidente tem seguido uma tática já conhecida: sinaliza, espera os protestos e só depois age. Foi assim com Gleisi Hoffmann, e agora se repete com Boulos. A estratégia serve para medir a temperatura dentro e fora do Congresso, onde o deputado tem sido um aliado firme, mas não exatamente unânime.
Aliás, a demora nas trocas ministeriais tem irritado aliados mais ansiosos do PT. A tal “reforma ministerial”, prometida desde 2023, vem sendo feita a conta-gotas — o que deixa o campo progressista em compasso de espera.
Resistências? Sim. Obstáculos? Nem tanto
Há quem torça o nariz para a entrada de Boulos no governo, mas o Palácio já sabe que a resistência é barulho de bastidor. O parlamentar do PSOL vem sendo um dos mais articulados apoiadores de Lula na Câmara dos Deputados e tem bom trânsito entre movimentos sociais e lideranças populares — um capital político que pesa mais que qualquer birra palaciana.
Outro ponto a favor é a sinalização do próprio Boulos de que não pretende disputar cargos em 2026, o que atende a uma exigência direta do presidente: evitar nomeações eleitoreiras e garantir estabilidade até o fim do mandato.
O peso simbólico da escolha
Levar Boulos para dentro do Planalto não é apenas uma jogada política: é também um gesto simbólico poderoso. Trata-se de um líder forjado nas periferias, em ocupações urbanas e na luta por moradia, assumindo uma das pastas mais próximas ao coração da presidência.
Se confirmada, a nomeação colocará no centro do poder alguém que, até outro dia, era tratado como “radical” pela mídia tradicional — a mesma que hoje se vê obrigada a reconhecer seu papel institucional e sua capacidade de articulação.
Oposição vai chiar. E daí?
A extrema-direita já prepara seus gritos de sempre: “esquerdalha”, “invasão do MST”, “ameaça comunista”. Mas a verdade é que Guilherme Boulos incomoda justamente porque se move com inteligência e fala com clareza. É jovem, articulado, popular e, sobretudo, leal ao projeto democrático. Qualidades que tiram o sono de quem se apoia em fake news e saudosismo golpista.