Pesquisa traça um panorama da realidade das capitais brasileiras

 

 

 

 

 

Estudo recente, divulgado pelo Instituto Cidades Sustentáveis no dia 26 de março, utiliza dados de órgãos públicos oficiais, como IBGE e Ministério da Saúde, para fazer um panorama do desenvolvimento das capitais brasileiras. A pesquisa, intitulada “Mapa das Desigualdades”, utiliza indicadores que têm como base os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS), definidos pela Organização das Nações Unidas.

 

“Os ODS partem de uma iniciativa para acabar com a pobreza, proteger o meio ambiente e o clima, além de garantir que as pessoas em todos os lugares possam desfrutar de paz e prosperidade, essa agenda está definida para ser atingida até o ano de 2030 no Brasil”, explica Andrews Veikman Nunes Caetano, economista e docente do Centro Universitário Estácio de Sergipe. Ainda de acordo com o especialista, o estudo é uma “oportunidade de entender mais profundamente como as dinâmicas sociais são criadas e transformam a nossa realidade. Ao aprofundarmos a análise desses resultados, podemos tirar boas conclusões”.

 

O primeiro indicador a ser considerado é a concentração de renda, baseada no ODS ‘Erradicar a Pobreza’. “Em uma simples tradução, quanto menor a renda dos integrantes que moram em uma mesma residência, maior será o nível de pobreza”, explica Andrews. Nesse aspecto, o economista comenta que a capital que mais se destaca negativamente é Salvador (BA), seguida por Rio Branco (AC) e Recife (PE). “As capitais das regiões Nordeste e Norte lideram negativamente essa marca, realidade infelizmente histórica para essas regiões. Tal fato é retratado comumente quando se traça um paralelo entre a pobreza e a luta de um povo”, complementa o docente da Estácio.

 

No espectro oposto, ou seja, as cidades com menor nível de desigualdade, destacam-se Florianópolis (SC), Curitiba (PR) e Cuiabá (MT). Com esse dados, pode-se inferir que a região Sul detém os melhores índices além das regiões Sudeste e Centro-oeste. “Esses resultados se devem à formação das próprias regiões além das características econômicas. Na região Centro-Oeste, temos um forte investimento nas regiões rurais com plantações de soja e o manejo de gado. Assim, os resultados dessa região têm o poder de trazer um impacto positivo no PIB (Produto Interno Bruto) nacional”, destaca Andrews.

 

No que diz respeito ao indicador Fome Zero, a cidade de Salvador lidera negativamente mais uma vez o resultado.  Entretanto, a região Nordeste se destaca positivamente, com Teresina, capital do Piauí, como a primeira colocada (ou seja, com menos pessoas passando fome). Aracaju encontra-se no 4º lugar deste ranking. “Para entendermos como se dá esse número, é estudada a porcentagem de Desnutrição Infantil”, esclarece Andrews. “Como podemos compreender, temos índices uniformes e com capitais liderando essa meta, isso representa a importância dos programas sociais e de distribuição de renda, além das parcerias com escolas que distribuem merendas e ajudam a combater a fome nas regiões mais humildes do país”, acrescenta.

 

Por fim, ainda segundo o especialista, é essencial reconhecer o contexto histórico subjacente que explica esses resultados. “Ao compreendermos as raízes desse cenário, podemos identificar com clareza as políticas necessárias para evitar o aumento das desigualdades”, comenta. “Isso não apenas promove um crescimento sustentável e equilibrado em todos os setores, mas também estabelece as bases para uma sociedade mais justa e inclusiva”, conclui o professor.

 

Panorama da desigualdade em Sergipe

 

Em sua análise, o professor da Estácio explica também como Aracaju, capital do estado, se configura no cenário nacional. Em termos populacionais, a cidade tem uma estimativa de cerca de 648 mil habitantes, sendo a menor capital do Nordeste nesse quesito. De acordo com os dados, analisando o desempenho geral das capitais, Aracaju se encontra na 15ª posição, das 26 unidades da federação. A primeira colocada, ou seja, que teve os melhores resultados nos indicadores, foi Curitiba, capital do Paraná. Já a cidade que apresentou os piores índices foi Porto Velho, capital de Rondônia.

 

Na região Nordeste, a capital sergipana figura como a terceira mais bem colocada, atrás apenas de Natal (RN) e Teresina (PI). “Na média conseguimos observar o péssimo resultado das regiões Norte e Nordeste”, destaca Andrews. “Em contrapartida, temos as regiões Centro-oeste, Sudeste e Sul além do Distrito Federal com os melhores resultados, em termos econômicos essas regiões detêm um maior investimento do governo federal”, complementa o especialista.

 

No indicador ligado ao ODS ‘Saúde e Bem-estar’, que leva em consideração a  Mortalidade Materna de Mulheres Negras em cada capital, Aracaju obteve um percentual de 52,40%, um resultado médio que leva a preocupação. “No Nordeste, Maceió conseguiu a melhor média nacional com 30,06%, esse comparativo nos leva a refletir que ainda estamos distantes do ideal e que é possível avançar nessa área”, comenta Andrews.

 

Ainda no mesmo indicador, tem-se o percentual de nascidos vivos filhos de mães negras jovens, no qual Aracaju também não tem um destaque positivo. “Maceió manteve seu excelente índice como melhor nota nacional, deixando cada vez mais claro que políticas públicas eficientes são determinantes para o sucesso para o desenvolvimento das comunidades marginalizadas das capitais”, afirma o especialista.

 

No que diz respeito à Taxa de Desnutrição Infantil, vinculada ao ODS ‘Fome Zero e Agricultura Sustentável’, Andrews destaca que a capital sergipana obteve um resultado que ele considera abaixo do esperado. Com uma taxa de 0,56% e a colocação de 5º lugar na Região Nordeste. O docente explica o seu ponto-de-vista ao justificar que “trata-se de uma preocupação que não deve ser deixada de lado, crianças acometidas por esse mal têm perda muscular, deficiência imunológica, involução do crescimento e alterações psíquicas e psicológicas que podem o acompanhar por toda vida, gerando consequente uma maior uso das unidades de saúde, sobrecarregando todo sistema de Saúde básico”. Além desse fato, no resultado da Taxa de Mortalidade Infantil de Crianças Negras, Aracaju figura com um percentual de 19,65%, maior taxa do Nordeste e Nacional. “São dados que preocupam e acendem um alerta para os cuidados relacionados à primeira infância – período que vai do nascimento aos 6 anos de vida”, lamenta.

No entanto, em outros indicadores, a cidade teve um resultado bastante notório positivamente. No que diz respeito ao Percentual de Domicílios com Coleta Seletiva, apresentou o melhor resultado na região nordeste, com 41,30%. “Embora seja um passo significativo, há ainda um longo caminho a percorrer. Esse índice ressalta a importância da reciclagem não apenas para melhorar a destinação de materiais, mas também para promover práticas sustentáveis”, pondera o professor, que acrescenta ainda a contribuição que a Estácio Sergipe tem dado para o estado em relação à questão ambiental. “A Estácio Sergipe recentemente recebeu o ‘Selo ODS 2023’ e foi premiada pelas boas práticas. Esse reconhecimento reflete o compromisso da instituição em abordar as demandas urgentes de sustentabilidade e contribuir para mudanças positivas na sociedade”, comenta.

 

Ao se analisar a média dos 44 indicadores utilizados na pesquisa, Aracaju, ao lado de Boa Vista e Manaus, figura entre as cinco piores colocadas 12 vezes. “Esses dados destacam a urgência de evoluirmos e reconhecermos que, além de desempenharmos nossa parte individualmente, é crucial participarmos ativamente em decisões tanto na esfera pública quanto em nosso ambiente doméstico. Apoiar iniciativas voltadas para a melhoria desses indicadores é fundamental para alcançarmos um desenvolvimento sustentável e duradouro”, finaliza o professor da Estácio.

 

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