Repórter é perseguido, tem dados vazados e Nunes pede investigação

São Paulo – O repórter Thiago Herdy, do UOL, teve dados fiscais, endereço e informações de sua família expostos em um texto publicado na plataforma Wix. Segundo o portal, foram divulgados episódios da rotina do jornalista, além de fotos de deslocamentos feitos por ele pela cidade, o que demonstraria que ele foi seguido.

Além disso, o texto apócrifo mostrou dados da declaração de imposto de renda do profissional, que são protegidos por sigilo fiscal. Informações sobre a rotina de integrantes da família do jornalista também foram divulgadas.

O material ainda teria mencionado reportagens feitas por Herdy e outros repórteres do UOL sobre indícios de irregularidades em contratos emergenciais da gestão Ricardo Nunes (MDB).

Ainda de acordo com o portal, uma mensagem com o link de acesso à plataforma foi publicada em um grupo de WhatsApp frequentado por funcionários do gabinete do prefeito de São Paulo e da Secretaria Municipal de Infraestrutura Urbana e Obras de São Paulo (Siurb), pasta responsável pela contratação das obras mencionadas nas reportagens.

Questionado, Ricardo Nunes afirmou não estar sabendo sobre a situação e disse que se solidariza com o jornalista, mas que “não vê relação” com a sua administração.

“Se ele está sendo perseguido, é um ato criminoso. Tem que a polícia investigar e evidentemente punir quem comete algum crime. Não sabia que ele estava sendo perseguido. Só ele, mas nenhum outro jornalista? Ele fez críticas só a mim? O Boulos ele não criticava? Acho que a gente precisa ser solidário e não permitir, em nenhuma hipótese, que qualquer pessoa seja perseguida, ainda mais jornalista no exercício do seu trabalho”, disse o prefeito durante agenda na zona sul da cidade.

De acordo com o UOL, o site foi retirado do ar por iniciativa da própria plataforma Wix na última terça-feira (18/3), depois de ser informada sobre o teor da publicação.

Em nota, a Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo (Abraji) condenou a perseguição e a exposição de dados pessoais e sigilosos de Herdy, “em evidente retaliação ao seu trabalho jornalístico”.

“É urgente que as autoridades públicas investiguem o caso, identifiquem os mandantes da estratégia de perseguição e façam cessar as ameaças sofridas pelo repórter. A Abraji manifesta seu extremo repúdio ao caso, que se revela como uma grave tentativa de intimidar e censurar o trabalho do jornalista, quando ele estava cumprindo com sua missão de investigar o uso dos recursos públicos”, afirmou a associação, da qual Herdy já foi presidente.

O corpo jurídico do veículo para o qual Herdy trabalha deve acionar o Ministério Público Federal e também a Polícia Civil.

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