Veja o momento que pais e filhos cruzam fronteira dos EUA ilegalmente

Vídeos encontrados pela Polícia Federal (PF) durante investigação de um grupo especializado no contrabando de migrantes brasileiros mostram o momento em crianças atravessam ilegalmente a fronteira dos Estados Unidos.

 

As imagens foram encontradas pela PF com alvos da operação Hancórnia, cuja 2ª fase foi deflagrada nesta quarta-feira (26/3).

Segundo a investigação, foram mais de 250 brasileiros, em especial maranhenses, enviados ilegalmente para os Estados Unidos. Desse total, cerca 80 vítimas são crianças e adolescentes.

Em um dos vídeos gravados pelos próprios coiotes que integravam o grupo, é possível ver que um bebê de colo atravessando a fronteira com um adulto.

No mesmo vídeo, logo depois aparecem crianças de mãos dadas com adultos, também fazendo a travessia.

Em outra gravação, uma outra mulher aparece segurando uma criança no colo enquanto atravessa uma espécie de portão. Na mão, ela segura uma coberta.

Em um terceiro vídeo, quatro pessoas, dentre elas pelo menos uma criança, todas de mochilas nas costas, aparecem andando em uma estrada de chão, próximo a uma ponte. A gravação é feita enquanto eles estão andando e passam por baixo da ponte.

Polícia Federal PF Brasília

Travessia

A apuração apontou que o início das operações do grupo criminosos se dava pelo aliciamento de moradores das cidades do Maranhão.

Depois, mediante pagamento previamente acordado com o líder do grupo no Brasil, essas pessoas eram enviadas aos Estados Unidos. Geralmente, iam pelo México e de países da América Central, como Panamá e Costa Rica, sendo submetidas a processos ilegais de migração.

Segundo apurou a coluna, o pagamento era dividido em duas etapas: metade deveria ser paga antecipadamente, enquanto o restante era quitado de forma parcelada após a entrada nos EUA.

Caso a vítima não possuísse condições financeiras, intermediários financiavam a travessia por meio de empréstimos com juros elevados e exigência de garantias, geralmente imóveis.

Nos últimos anos, segundo a PF, o grupo movimentou ao menos R$ 14 milhões com o contrabando ilegal de migrantes.

Operação Harcónia

A PF tinha mirou a organização criminosa que atuava no contrabando de migrantes brasileiros, especialmente do Maranhão, para os Estados Unidos.

As principais cidades envolvidas no esquema são Balsas (MA) e São Raimundo das Mangabeiras (MA), além de outras pela região. Durante a operação desta quarta (26), a PF prendeu, em São Raimundo das Mangabeiras, apontado como líder da organização.

Além da prisão, ais de 50 policiais 16 mandados de busca e apreensão e um mandado de prisão preventiva nos estados do Maranhão, Minas Gerais, Rondônia, Distrito Federal e Espírito Santo.

A Justiça Federal determinou o bloqueio de aproximadamente 14 milhões em bens e ativos dos investigados.

Segundo apurou a coluna, a investigação mostrou que esse grupo atuava em diversos núcleos.


Os 5 núcleos da organização

  1. Alto escalão: responsável pela gestão do esquema e era formado pelos idealizadores, líderes e financiadores da operação. Eles coordenavam toda a estrutura do contrabando de migrantes e estabeleciam conexões estratégicas com agentes de viagens, coiotes mexicanos e doleiros
  2. Logística: eram encarregados da emissão de passagens aéreas, obtenção de vistos e inclusão de pacotes de turismo para dar aparência de legalidade às viagens das vítimas
  3. Braço mexicano: recepcionavam as vítimas no México e providenciavam toda a logística necessária para a travessia da fronteira norte-americana
  4. Braço norte-americano: encarregado da cobrança dos valores devidos pelas vítimas, da contabilidade e do repasse dos recursos ao alto escalão.
  5. Doleiros: viabilizavam a aquisição de dólares, utilizados para pagar os membros do braço mexicano

Segundo a PF, depois de serem aliciadas, as vítimas pagavam valores elevados para realizar a viagem, muitas vezes assumindo dívidas com juros abusivos.

Segundo a PF, a operação foi realizada por meio de uma cooperação entre a PF e a agência norte-americana Homeland Security Investigations (HSI). Nos EUA, a HSI prendeu m dos líderes da organização na região de Boston e realizou a detenção de outros investigados para fins de deportação.

Segundo o superintendente da PF em Maranhão, Sandro Jansen, a ação é importante porque pretende encerrar o esquema criminoso que atua em cima do sonho dos brasileiros.

“Ela tem um objetivo social importante e a gente espera que essas pessoas sejam criminalizadas com a operação”, disse Jansen.

O delegado Diego Frota, responsável pela investigação, afirma que os valores para a travessia eram cobrados antecipadamente ou parcela.

O grupo também financiava a ida dos brasileiros mediante pagamento de juros altos o que, segundo o delegado, tornava a dívida impagável.

“Para garantir o futuro pagamento da dívida, os coiotes cobravam algum tipo de garantia, geralmente imóveis. Eles eram repassados aos coiotes por meio de contratos de gaveta. Eles faziam os contratos que não eram registrados em cartórios e, caso a vítima não conseguisse pagar, havia a transferência do imovel ao coiote”, diz o delegado.

6 imagens

Imagens de pessoas vítimas de contrabando obtidas pela operação Hancórnia, da PF

Policial Federal durante a operação Hancórnia, da PF
Imagens de pessoas vítimas de contrabando obtidas pela operação Hancórnia, da PF
Imagens de pessoas vítimas de contrabando obtidas pela operação Hancórnia, da PF
Imagens de pessoas vítimas de contrabando obtidas pela operação Hancórnia, da PF
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Policiais Federais durante a operação Hancórnia, da PF

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Imagens de pessoas vítimas de contrabando obtidas pela operação Hancórnia, da PF

 

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