Chimpanzé que viveu com narcotraficante na Colômbia chega a Sorocaba

São Paulo — Após dois dias de viagem até o Brasil, o chimpanzé conhecido como Yoko chegou ao Santuário de Grandes Primatas, em Sorocaba, interior de São Paulo. O animal de 38 anos chegou na segunda-feira (24/3) após passar seis anos no Bioparque Ukumari, na Colômbia.

O animal ficou conhecido em 2023, quando seus companheiros foram baleados e mortos após fugirem de uma área zoológico colombiano. O caso reacendeu a discussão sobre a problemática de chimpanzés em exposição nesses espaços, além da importância da realocação de animais silvestres em santuários — onde não há visitação de público externo e com espaços mais adequados ao bem-estar.

A transferência de Yoko ao santuário brasileiro é um marco para a Colômbia: o país torna-se agora um local sem grandes primatas em jaulas. Segundo o Projeto de Proteção aos Grandes Primatas (Gap), do qual o espaço de São Paulo é filiado, organizações de defesa dos animais se preparam agora para retificar uma lei que proibirá permanentemente a entrada de grandes primatas e outros animais exóticos no país.

Yoko, agora em solo brasileiro, passará por uma quarentena em um recinto de cerca de 5 mil m² preparado especialmente para ele. O Gap afirma que, após esse período, a prioridade será “implementar a melhor estratégia para sua integração ao espaço, avaliando quais seriam os melhores grupos e/ou companheiros com quem teria uma boa chance de interagir e conviver”.

Yoko e narcotraficantes

Em sua infância, Yoko foi capturado na natureza e traficado para a Colômbia, onde viveu por anos sob o domínio de narcotraficantes. Ele foi explorado, vivia acorrentado e era forçado a hábitos contra a sua natureza.

Depois disso, ele foi enviado a um circo na Venezuela e continuou sendo explorado até ser resgatado na fronteira dos dois países, nos anos 2000. Em 2018, o chimpanzé chegou ao Bioparque Ukumari.

O santuário paulista

O Santuário de Grandes Primatas em Sorocaba é considerado o maior do gênero em toda a América Latina e foi fundado em 2000. Atualmente, ele abriga cerca de 250 animais — 42 chimpanzés e outros pequenos primatas e aves.

O espaço tem cinco hectares de área e 63 recintos para chimpanzés, divididos em 14 complexos. As instalações estão preparadas para receber  outros animais que forem resgatados de maus-tratos.

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