Cientistas descobrem que tubarões “falam” (e alto). Ouça o predador

Tubarões sempre foram retratados como caçadores silenciosos e os pesquisadores acreditavam que eles eram discretos para surpreender as presas. No entanto, a teoria sobre os predadores pode estar errada: um novo estudo indica que eles “falam” — e bem alto.

Os cientistas da Universidade de Auckland, na Nova Zelândia, registraram pela primeira vez tubarões-de-plataforma (Mustelus lenticulatus) produzindo cliques altos e estridentes quando manuseados. Esta é a primeira evidência de que os animais produzem sons.

As gravações, publicadas na revista Royal Society Open Science nesta quarta-feira (26/3), revelam que os animais produziram cliques de até 155 decibéis – volume comparável a um tiro de espingarda e capaz de inclusive causar dor ao ser ouvido.

 

Como e por que os tubarões “falam”?

Os sons foram capturados durante experimentos com dez tubarões juvenis na Nova Zelândia. Cada clique durava cerca de 48 milissegundos, com picos entre 2,4 e 18,5 quilohertz – frequências muito rápidas e perto do limite do que é inaudível para humanos adultos (20 kHz).

A produção de sons cessou quando os animais se acostumaram ao manuseio, sugerindo ser uma reação defensiva. Os tubarões, porém, não possuem bexiga natatória, órgão usado por outros peixes para emitir sons, portanto a origem dos ruídos intriga cientistas.

Uma hipótese é que os dentes achatados desses tubarões, ideais para esmagar crustáceos, se choquem em um golpe rápido e leve ao fechar a mandíbula, gerando o barulho.

Novas perguntas sobre comunicação

A descoberta abre caminho para repensar o comportamento dos predadores. Embora os cliques possam não servir para comunicação entre tubarões – cuja audição é limitada a baixas frequências –, talvez assustem predadores como focas, sensíveis a sons agudos.

“Pode ser um aviso ou apenas uma resposta nervosa”, especula o biólogo Adrian Gutteridge, um dos autores da pesquisa. Mais estudos são necessários, mas uma coisa é certa: os oceanos estão mais barulhentos – e misteriosos – do que imaginávamos.

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