Alerta: Bolsonaro em modo desespero precisa ser vigiado o tempo todo

Bolsonaro tem razão quando diz:

“Graças a Deus eu saí daqui dia 31 de dezembro [de 2022] porque eu não queria passar a faixa para um cara com o passado de Lula. Não há crime em não passar a faixa, não está escrito que é proibido.”

Ou então:

“Não adianta botar um decreto na frente do presidente e assinar. Não convoquei os conselhos da República, nem atos preparatórios houve para isso”.

Ou ainda:

“Discutir, como eu disse, com o então comandante do Exército, discutir hipóteses de dispositivos condicionais, não é crime.”

O último presidente da ditadura militar de 64 saiu por uma porta lateral do Palácio do Planalto para não dar posse a José Sarney. E não foi acusado de nenhum crime por isso.

Ocorre que o dito por Bolsonaro, ontem, em sua defesa, foi retirado por ele de contexto. Bolsonaro esconde que foi embora do Brasil em 31 de dezembro porque fracassara sua tentativa de golpe.

Bolsonaro não convocou o que chama de “conselhos da República”, nem “atos preparatórios”, porque os comandantes do Exército e da Aeronáutica se recusaram a apoiar o golpe.

O comandante da Marinha, o almirante Almir Garnier, disse que apoiaria se os outros apoiassem. Garnier, como Bolsonaro, agora virou réu e será julgado pelo Supremo Tribunal Federal.

Bolsonaro esconde os motivos que o levaram a discutir com o então comandante do Exército “hipóteses de dispositivos condicionais”. Que dispositivos condicionais eram esses?

A decretação de Estado de sítio, por exemplo, é uma medida de exceção que pode ser decretada pelo presidente da República em situações em que a ordem pública está severamente ameaçada.

Não havia ameaça à ordem pública quando Bolsonaro discutiu com o então comandante do Exército “hipóteses de dispositivos condicionais” para abortar a posse de Lula.

E se havia, não foi por culpa de Lula, e sim dos acampados à porta de quarteis país afora que pediam um golpe. Bolsonaro os tolerou e obrigou os comandantes militares a tolerar.

Seria possível um acampamento do Movimento dos Sem Terra à porta de quarteis a clamarem por um golpe caso Lula tivesse sido derrotado por Bolsonaro? É claro  que não.

Bolsonaro entrou em modo desespero. Compareceu à primeira sessão do Supremo sobre a aceitação da denúncia contra ele, mas não à segunda em que sua sorte seria definida.

Faltou à segunda sessão, segundo Igor Gadelha, colunista do site Metrópoles, porque ouvira boatos de que poderia ser preso ou forçado a ter que usar tornozeleira eletrônica.

Um homem desesperado e réu por tantos crimes é capaz de tudo – inclusive fugir. Olho nele. E o tempo todo.

 

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