Brasil chega ao “Dia da Libertação” pessimista com tarifas de Trump

 

O governo brasileiro chega ao fatídico “Dia da Libertação” em clima de pessimismo com a possibilidade de escapar do “tarifaço” prometido pelo presidente Donald Trump sobre a entrada de produtos estrangeiros nos Estados Unidos.

O sentimento predominante entre auxiliares do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), depois de seguidas rodadas de conversas técnicas com contrapartes da administração americana, é que dificilmente haverá exceções relevantes para o Brasil.

“Dia da Libertação” é como Trump vem se referindo ao 2 de abril, data em que ele pretende anunciar a aplicação de “tarifas recíprocas” no comércio internacional. O anúncio está previsto para 17h (horário de Brasília).

Há uma sensação generalizada no governo de que seria uma vitória, por exemplo, se a artilharia de Trump contra o Brasil ficar limitada ao etanol. Mas quase ninguém, na Esplanada dos Ministérios, acredita que vai parar em alíquotas mais altas sobre o biocombustível.

Nas conversas feitas até agora, houve a apresentação de uma série de argumentações técnicas — sem que qualquer autoridade americana tenha jamais sinalizado a perspectiva de exceção ou arrefecimento das medidas a serem aplicadas.

Na leitura do governo brasileiro, houve duas sinalizações de agressividade contra o Brasil na aplicação de “tarifas recíprocas” pelos Estados Unidos.

Primeira: a consulta pública aberta pelo USTR (o escritório de representação comercial da Casa Branca) terminou com uma enxurrada de apontamentos críticos ao Brasil pelo setor privado americano.

De barreiras sanitárias a subvenções no financiamento para a indústria, passando por temas como cotas para conteúdo nacional na TV paga e demora no registro de patentes, as críticas da indústria e do agro nos Estados Unidos foram muito fortes.

Na segunda-feira (31), ao divulgar um relatório de 397 páginas sobre barreiras comerciais enfrentadas por produtores americanos em todo o mundo, o USTR deixou o Brasil como sétimo país mais citado e afirmou que as restrições brasileiras têm um impacto de US$ 8 bilhões.

O secretário de Assuntos Econômicos e Financeiros do Itamaraty, Mauricio Lyrio, esteve em Washington na semana passada e se encontrou com autoridades americanas para reforçar os argumentos brasileiros.

Em uma estratégia de buscar mais aliados, Lyrio reuniu-se com o congressista republicano Jason Smith (Missouri), que é presidente do Comitê de Ways and Means da Câmara dos Representantes — um cargo parlamentar estratégico e que lhe garante uma dose de influência no governo Trump.

Nesta semana, havia uma expectativa de novo telefonema entre o chanceler Mauro Vieira e o chefe do USTR, Jamieson Greer, o que acabou não acontecendo.

Teria sido uma última oportunidade de apelo por exceção ou arrefecimento das medidas. No governo, entretanto, existe um diagnóstico de que essa conversa pouco ou nada mudaria a situação.

Tudo o que vem pela frente, afirmam auxiliares de Lula, depende do que está na cabeça de uma única pessoa: o próprio Trump.

Fonte: CNN Brasil

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