Medo de avião: saiba o que fazer em crises como a de Fátima Bernardes

Embora viajar seja algo extremamente prazeroso, a experiência de estar em um avião pode não ser agradável para muitas pessoas, especialmente para quem não gosta de altura e sofre com crises ansiosas. Mesmo não sendo uma situação recorrente, a apresentadora e jornalista Fátima Bernardes compartilhou sua experiência nas redes sociais. Pensando nisso, o Metrópoles recorreu a psicólogos, que explicam quando o medo deixa de ser normal e passa a ser algo preocupante.

Em publicação no Instagram, ela relata que vivenciou uma crise ansiosa durante um voo para o Brasil, voltando de Nova York. A apresentadora contou que, naquele momento, estava há cerca de 10 dias sem ver os filhos, e que nunca havia passado tanto tempo longe deles.

A agitação foi o suficiente para deixar a apresentadora ansiosa. Segundo o psicólogo Alexander Bez, nesse caso, Bernardes teve uma sintomatologia isolada de pânico. Como ela desejava voltar o quanto antes, a jornalista pode ter desenvolvido uma manifestação de pânico. “Não significa que ela tenha um transtorno de pânico e, sim, um quadro de transtorno de estresse pós-traumático (TEPT)”, descreve o especialista em Ansiedade e Síndrome do Pânico.

Entretanto, o caso dela seria de diferente de um TEPT clássico. Bez explica que o desencadeamento não foi um evento traumático externo, como uma turbulência no voo ou um assalto, mas sim por associação livre de fatores internos.

Voar te gera ansiedade? 

Se, assim como Fátima, você sente sintomas como falta de ar, sudorese ou taquicardia antes de voar, eles podem ser indícios de crises ansiosas. De acordo com o psicanalista Artur Costa, em situações similares a de Fátima, é fundamental que a pessoa acolha sua própria fragilidade sem culpa ou vergonha. “Reconhecer que está em crise é um passo essencial para evitar o agravamento do quadro”, orienta.

Técnicas indicadas pelo especialista:

  • Respiração consciente: inspirar e expirar com calma é uma forma de se tranquilizar.
  • Acoragem sensorial: tente segurar algo com textura confortável ou ouvir uma música calmante.
  • Meditação guiada: essas meditações podem ajudar a acalmar o sistema nervoso.

Caso a crise se agrave, informar a tripulação pode ser um recurso válido. Além do uso pontual de ansiolíticos prescritos por um médico, o que pode oferecer segurança para situações emergenciais. “Mais do que controlar o sintoma no momento, é essencial investigar, em terra firme, o que a mente está sinalizando com esse tipo de reação”, indica o especialista.

Quando o medo se torna preocupante?

Apesar de o medo de voar ser um sentimento comum entre as pessoas, há sintomas que não devem ser ignorados. Entretanto, quando a fobia se torna incapacitante, gerando sofrimento intenso ou sintomas físicos recorrentes – com o agravante de sensação de descontrole – as crises se tornam preocupantes.

Costa alerta, que quando o medo impede a pessoa de realizar compromissos importantes ou aproveitar momentos significativos da vida, o ideal é procurar auxílio profissional.

O acompanhamento da terapia pode auxiliar a compreender as origens emocionais dessa ansiedade, o que contribui para aliviar os sintomas. “Buscar ajuda é um ato de responsabilidade com a própria saúde emocional e uma forma de reconectar-se consigo mesmo de forma mais profunda”, indica Costa.

“Nesses casos, o medo não está mais apenas relacionado ao avião em si, mas pode ser reflexo de questões emocionais mais profundas, como traumas, sensação de impotência ou necessidade excessiva de controle”, adverte Costa.

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