Uberaba (MG) – O ex-presidente da Câmara dos Deputados Eduardo Cunha, cassado e preso por corrupção, voltou ao jogo político. E não é no Rio. De olho nas eleições de 2026, ele tem montado uma base no interior de Minas Gerais, onde já comprou rádios, patrocinou time de futebol e marcou presença em eventos evangélicos.
Desde 2023, Cunha age com discrição, mas sem perder a ambição: são cinco rádios com programação religiosa espalhadas pela Zona da Mata mineira, todas em nome do genro Daniel Cardoso Sá, marido da deputada Dani Cunha (União-RJ).
Rádio, fé e futebol como trampolim
O epicentro da estratégia é Uberaba, no Triângulo Mineiro. Lá, Cunha virou patrocinador do tradicional Uberaba Sport Club, que joga a segunda divisão estadual. Uma das rádios adquiridas, a Maravilha FM, também opera na cidade, com conteúdo voltado ao público evangélico.
Cunha repete o enredo dos anos 1990, quando usava rádios no Rio de Janeiro para dialogar com evangélicos e construir capital político. Agora, o experimento é mineiro, com o mesmo roteiro, mas novos rostos.
Base mineira em construção
Além de Uberaba, as rádios estão em Além Paraíba, Carangola, Raul Soares e Guarani. Todas cidades estratégicas da Zona da Mata, região conservadora e eleitoralmente relevante.
Aliados próximos afirmam que a movimentação é parte de um “plano piloto” para medir o apelo de Cunha entre mineiros. Ele ainda avalia se o retorno será como candidato a deputado federal em 2026.
Cunha e o retorno pela beirada
A reentrada discreta faz parte do estilo Cunha: evitar confronto direto, manter influência nos bastidores e preparar terreno com apoio de pastores, empresários locais e agora, dirigentes esportivos.
Apesar disso, o histórico continua pesando. Cassado em 2016, condenado e preso por corrupção, o político ainda carrega a imagem de um dos símbolos do impeachment de Dilma Rousseff — e dos escândalos da Lava Jato.
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