A Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Braskem ouve, nesta terça-feira (5/3), três especialistas sobre o processo de exploração das minas de sal-gema que causam o afundamento de bairros inteiros em Maceió (AL). Estas são as primeiras três oitivas realizadas pelo colegiado.
Com pós-doutorado em meio ambiente e ativista em ecologia, José Geraldo Marques também foi vítima da evacuação dos bairros atingidos pela atividade da petroquímica. Ao relatar a desocupação do bairro de Pinheiro, pediu que os membros visitem a região: “Vão com o espírito de quem vai a Auschwitz”, lamentou.
“Eu sou um refugiado ambiental do crime da Braskem. Chamo de crime e chamo de ré, não me importo se ela assume”, destacou José Geraldo.
Outros especialistas na CPI
O professor aposentado da Universidade Federal de Alagoas (Ufal) e engenheiro civil Abel Galindo Marques expôs detalhes técnicos da situação, e destacou que as fissuras decorrentes da exploração no local são observadas desde 2008.
O acadêmico mostrou, em imagens de satélite, as regiões afetadas e a movimentação de diversas minas, feitas com diâmetro maior que o indicado e com pouca distância entre elas.
A também professora da Ufal Natallya de Almeida Levino, com formação em economia, expôs o estudo que conduziu sobre os impactos da tragédia nas dimensões econômica, social e ambiental.
Os requerimentos foram todos apresentados pelo relator, senador Rogério Carvalho (PT-SE). A previsão é de que na quarta-feira (6/3) sejam ouvidos Thales Sampaio, servidor aposentado da Companhia de Pesquisa de Recursos Minerais (CPRM), e Mauro Henrique Sousa, diretor-geral da Agência Nacional de Mineração (ANM).