São Paulo — A Polícia Civil de Itapetininga, no interior de São Paulo, considera “leviana” a explicação dada pelo empresário Adriano Domingues da Costa (foto de destaque) para o episódio em que deu cinco tiros contra o carro de um casal na rodovia Castello Branco na última sexta-feira (14/6). O suspeito, que tinha um mandado de prisão temporária em aberto, foi preso nessa quarta (19/6).
À polícia, Adriano sustentou a versão de que o condutor do veículo que foi alvo dos disparos teria tentado jogá-lo para fora da pista mais de uma vez e feito uma série de ameaças, exibindo uma arma.
O delegado Franco Augusto Ferreira, da Delegacia de Investigações Gerais de Itapetininga, disse ao Metrópoles que a suposta arma não foi encontrada pela polícia. Ela também não aparece na filmagem feita pelas vítimas. Franco afirma que a tese de legítima defesa também não se sustenta.
“A arma que ele diz ter visto nunca apareceu. Não existe vídeo, não existe nenhum elemento que corrobore com isso. É uma argumentação vazia, porque não encontra amparo em mais elementos. Mas nada justifica a conduta dele, até porque ele não estava diante de uma ameaça injusta e iminente”, afirma o delegado.
“Por duas ocasiões ele veio a parar o veículo. Ele poderia ter seguido o caminho dele. Esse argumento de legítima defesa me parece muito vago”, complementa ele.
Vídeo:
Tentativa de homicídio
A defesa de Adriano Domingues da Costa sustenta a tese de que não houve tentativa de homicídio porque o veículo era blindado. O advogado Luiz Carlos Valsecchi afirma que o empresário só efetuou os disparos ao perceber a blindagem.
Segundo Valsecchi, trata-se de um crime impossível, quando há impossibilidade de conclusão do ato ilícito em razão de uma incapacidade do meio ou impropriedade do objeto usado.
O advogado diz que seria impossível que os projéteis atravessassem a blindagem. Para a polícia, a argumentação parece “leviana demais”.
“O fato de ter ou não blindagem não retira a eficácia da conduta. É um fator limitante, mas isso tem que ser analisado de uma maneira conjuntural. Se a blindagem está com a validade dentro do prazo, se sucessivos disparos no mesmo ponto poderiam furar a blindagem. Dizer que ele não teria condições, por absoluto, de lesar a vítima sem algo mais robusto, só com a palavra dele, me parece leviano demais”, afirma Ferreira.
O delegado afirma que a polícia solicitou exames periciais para avaliar a eficácia da blindagem. O resultado, diz ele, será um elemento importante para determinar a tipificação do crime. “Tem porte de arma de fogo de uso restrito e, se não for o caso da tentativa de homicídio, disparo de arma de fogo em local público. No mínimo, isso está muito claro e evidente”.