Rota 22: Bolsonaro lança caravana pelo Brasil e começa pela Região Nordeste

 

O Partido Liberal (PL) e o ex-presidente Jair Bolsonaro darão início, neste mês, a uma caravana que deverá percorrer o país com o objetivo de “ouvir a população” e “buscar soluções” para os principais problemas de cada região.

Batizado de Rota 22 — uma referência ao número do PL –, o projeto terá sua estreia no Rio Grande do Norte, estado que é reduto eleitoral do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, governado pelo PT (a governadora reeleita é Fátima Bezerra), mas também a terra natal do secretário-geral do PL, o senador Rogério Marinho.

“O projeto Rota 22 será implementado em diversos estados, mas vamos começar pela Região Nordeste, aqui no Rio Grande do Norte. Acreditamos que a participação da sociedade é fundamental para a construção de políticas que realmente atendam às necessidades locais”, diz Marinho.

O ex-ministro do Desenvolvimento Regional do governo de Bolsonaro afirma ainda que o projeto vai capacitar lideranças locais e promover um debate construtivo sobre o futuro das comunidades.

Como parte da estreia do Rota 22, Bolsonaro estará presente em três cidades potiguares no próximo dia 11. Pela manhã, passa por Acari, conhecido polo têxtil, e de lá segue para Jucurutu, onde visitará a barragem de Oiticica.

A paternidade da obra foi alvo de disputa recente. Há duas semanas, Lula inaugurou a barragem dizendo que “mentira tem perna curta”, mas que não queria discutir “quem fez ou não fez a obra”. “Eu até quero agradecer aos deputados e aos senadores do Rio Grande do Norte que colocaram 203 milhões de reais de emendas para que essa obra pudesse andar”, disse, acrescentando que a estrutura só foi concluída em sua gestão graças ao Programa de Aceleração do Crescimento (PAC). “Quando eu cheguei, em 2023, não tinha nenhum centavo para fazer essa obra”, declarou.

As obras da barragem de Oiticica começaram em 2013, na primeira gestão do governo de Dilma Rousseff, e foi tocada tanto por Michel Temer quanto por Jair Bolsonaro, até a finalização e entrega pelo atual governo de Lula. Cerca de 750.000 pessoas do estado devem ser beneficiadas.

Após a visita, Bolsonaro finaliza o dia em Pau dos Ferros, onde haverá uma festa de inauguração do Rota 22.

“Nosso objetivo é claro: ouvir o povo, entender a dificuldades de cada região e trabalhar por um desenvolvimento de verdade, longe de promessas vazias”, diz Bolsonaro em vídeo divulgado nas redes sociais. O ex-presidente também pede que brasileiros de diferentes regiões acessem o site do projeto e enviem sugestões de melhorias para cada município.

Segundo Rogério Marinho, equipes precursoras começaram a visitar todos os municípios do Rio Grande do Norte em março. Nesse período, ouviram representantes da sociedade em cada local e identificaram ações realizadas pelo PL nos últimos anos.

Caravana de Lula

O Rota 22 de Bolsonaro carrega semelhanças com as históricas Caravanas da Cidadania de Lula. A iniciativa teve início em 1993, um ano antes de o petista disputar a primeira eleição contra Fernando Henrique Cardoso, e também teve como foco inicial o Nordeste. O primeiro trecho da viagem foi escolhido de forma simbólica: começou em Garanhuns (PE), cidade natal de Lula, e terminou em Vicente de Carvalho, à época um bairro pobre do Guarujá, no litoral de São Paulo: foi para lá que Lula migrou com a família a bordo de um pau de arara aos 7 anos de idade. Neste trecho, a caravana passou por 48 cidades em Pernambuco, Alagoas, Sergipe, Bahia, Minas Gerais, Rio de Janeiro e, por fim, São Paulo.

Até 2003, ano em que Lula venceu sua primeira eleição para a Presidência, foram realizadas 17 caravanas, passando por 400 cidades de todo o país. Da mesma forma, o giro serviu para o partido colher informações sobre as mazelas locais. “Essas experiências foram acolhidas e alimentaram o processo de formulação dos programas de governo do PT”, diz o site da Fundação Perseu Abramo, entidade vinculada ao partido.

Lula retomou as caravanas, rebatizadas de “Lula pelo Brasil” em 2017, quando ainda pensava em disputar a eleição presidencial seguinte. Em abril de 2018, no entanto, ele foi preso pela Operação Lava-Jato e depois teve a sua inelegibilidade confirmada pela Justiça Eleitoral.

Fonte: VEJA

 

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