Guerra comercial: dólar abre em forte baixa no “day after” do tarifaço

O dólar operava em forte queda na manhã desta quinta-feira (3/4), dia no qual os mercados em todo o mundo repercutem o anúncio do novo “tarifaço” imposto pelo governo do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, sobre produtos importados de diversos países.

O temor entre os investidores é o de que a nova rodada de barreiras comerciais anunciada pela Casa Branca deflagre uma guerra comercial global, com consequências econômicas imprevisíveis.


O que aconteceu

  • Às 9h10, o dólar caía 1,31% e era negociado a R$ 5,625.
  • Na véspera, a moeda dos EUA fechou em alta de 0,27%, cotado a R$ 5,69.
  • Com o resultado, o dólar acumula perdas de 0,12% em abril e de 7,79% em 2025.

O novo “tarifaço” de Trump

O presidente dos EUA, Donald Trump, anunciou na quarta-feira (2/4) a imposição de novas tarifas sobre produtos importados, atingindo países com taxas que variam de 10% a 97%.

A medida, segundo Trump, tem como objetivo fortalecer a produção doméstica e combater o que o governo norte-americano considera práticas comerciais desleais.

Desde fevereiro, Trump já vinha sinalizando a adoção das tarifas, mas sem detalhar valores ou critérios. Na última semana, ele reforçou que a taxação seria aplicada de forma ampla, embora ajustes e negociações ainda possam ocorrer.

A nova política tarifária faz parte das promessas de campanha do republicano e foi batizada por ele de “Dia da Libertação”, em referência à redução da dependência dos EUA em relação a importações.

Um dos pilares da medida é a adoção de tarifas recíprocas, ou seja, taxas equivalentes às que os produtos norte-americanos enfrentam em outros mercados.

O governo Trump argumentava que países que impõem barreiras comerciais aos EUA seriam submetidos a condições semelhantes.

Impactos no Brasil e pelo mundo

O Brasil está na lista dos 113 países que serão atingidos com as menores tarifas a serem cobradas sobre importações dos EUA. Ao todo, as nações abaixo serão tarifadas em 10%, o patamar mínimo implementado pelo presidente norte-americano.

Nesta quinta, o efeito do novo “tarifaço” de Trump é sentido nos mercados mundo afora. Na Ásia, os principais índices das bolsas de valores despencaram e, na Europa, os indicadores operavam no vermelho.

União Europeia prepara resposta

Nesta quinta-feira, a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, afirmou que a União Europeia (UE) está preparando medidas de resposta em retaliação aos EUA.

O primeiro-ministro do Reino Unido, Keir Starmer, por sua vez, adotou um tom mais comedido e disse que o país reagirá com “cabeça fria e calma” diante do “tarifaço” norte-americano.

Em discurso mais cedo, o vice-presidente do Banco Central Europeu (BCE), Luis de Guindos, defendeu que a autoridade monetária do bloco seja “extremamente prudente” na condução de suas políticas sobre a taxa de juros.

Veja como ficou a taxação em cada país

Para além do “tarifaço”

Além dos desdobramentos econômicos das novas tarifas comerciais impostas pelo governo Trump, o mercado financeiro repercute também novos dados de emprego e serviços dos EUA.

O Departamento do Trabalho do governo norte-americano divulga nesta quinta o número de novos pedidos de seguro-desemprego referentes à semana até 29 de março. Na semana anterior, houve 224 mil pedidos.

A S&P Global divulga, também nesta quinta, os índices de gerentes de compras (PMI, na sigla em inglês) de serviços e composto dos EUA em março.

Na última leitura, os indicadores ficaram em 51 (serviços) e 51,6 (composto).

Bolsa de Valores

As negociações do Ibovespa, principal índice da Bolsa de Valores do Brasil (B3), começam às 10 horas.

No dia anterior, o Ibovespa fechou em leve alta de 0,03%, aos 131,1 mil pontos, praticamente estável.

Com o resultado, a Bolsa do Brasil acumula ganhos de 0,71% no mês e de 9,07% no ano.

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