Mãe grava professora maltratando aluno autista: “Dar tapão”

A Polícia Civil do Rio de Janeiro (PCRJ) abriu inquérito para apurar a denúncia contra uma professora acusada de agredir física e verbalmente um menino autista de 6 anos em uma escola particular de Resende (RJ). Tanto a docente quanto a orientadora pedagógica foram afastadas de suas funções no colégio.


O que aconteceu

  • De acordo com o boletim de ocorrência, os pais da vítima começaram a suspeitar da violência após perceberem mudanças no comportamento do filho, que reclamava que a professora gritava e o maltratava.
  • Para confirmar as suspeitas, a família colocou um celular na mochila da criança e gravou áudios que captaram supostos xingamentos e ameaças por parte da docente.
  • Nas gravações, a professora teria dito que “iria dar um tapão e não estava nem aí”, além de ordenar que o aluno “não levantasse o nariz” para ela, conforme consta no documento policial.
  • No dia seguinte, a criança apresentou dois hematomas no braço esquerdo, afirmando que as marcas foram causadas pela professora. A vítima estuda em uma sala com outras quatro crianças, acompanhadas por uma professora e uma orientadora.
  • Em um dos trechos das gravações, a orientadora pedagógica teria ironizado a agitação do aluno, sugerindo que ele fosse medicado com um remédio de uso controlado. “Rivotril… Uma gotinha e meia”, teria dito.

“Minha alma está dilacerada”

Em entrevista ao Metrópoles, a mãe da criança, a psicanalista Tatiane Toledo, desabafou sobre a dor e indignação ao descobrir a suposta violência.

“Se eu não tivesse percebido a mudança do meu filho e colocado o gravador, será que ele estaria sendo medicado, como a orientadora pedagógica sugeriu? Minha alma está dilacerada e só quero Justiça!”, afirmou Tatiane.

Os pais registraram a ocorrência no último dia 14 de março, após reunirem as provas. A vítima passou por exame de corpo de delito no Hospital de Emergência de Resende, que confirmou as lesões.

Posicionamento da escola

Em nota, o Colégio Ebenézer de Educação afirmou que está colaborando com as investigações e que a família da vítima está recebendo apoio. A instituição garantiu ainda que as profissionais envolvidas foram afastadas.

Criança apresenta regressão de comportamento

Tatiane relatou que o filho tem demonstrado sinais de ansiedade e nervosismo desde o ocorrido. Segundo ela, o menino voltou a apresentar episódios de autoagressão após o trauma.

“Eu faço de tudo para meu filho evoluir: terapia, trabalhos lúdicos terapêuticos em casa, invento histórias de acordo com as dificuldades dele para incentivá-lo. Sou psicanalista e faço faculdade de psicopedagogia para ajudá-lo. E, então, vem alguém de fora e faz meu filho regredir, traumatizá-lo”, desabafou.

A mãe da criança exige Justiça e cobra mais segurança nas escolas, além de punições mais rígidas para casos semelhantes. Ela defende a instalação de câmeras nas salas de aula e corredores, com acesso permitido aos pais quando solicitado, além de avaliações psicológicas periódicas para os professores.

“Da escola, espero que tenham cautela ao contratar profissionais e que haja um supervisor ou monitor para observar a conduta dos professores. Das autoridades, espero que olhem para essa situação e busquem melhorias na segurança das crianças em sala de aula”, afirmou.

Ela afirmou que a escola pediu um prazo de 30 dias para contratar um mediador. Pórem, ainda segundo a mãe do aluno autista, não houve retorno e o centro de ensino não entrou em contato para saber a situação da vítima.

Tatiane revelou ainda que tem recebido relatos de outras mães, tanto de crianças atípicas quanto típicas, sobre situações semelhantes.

“Isso só reforça o que tenho pensado: não é só falta de capacitação, mas uma incapacidade emocional para lidar com crianças. Exigem autocontrole de uma criança sendo completamente descontrolados”, criticou.

 

Ver esta publicação no Instagram

 

Uma publicação partilhada por Tatiane Toledo | Psicanalista & Escritora (@tatianetoledo.psi)

O episódio acontece justamente na semana do Dia Mundial de Conscientização do Autismo, celebrado nessa terça-feira, 2 de abril.

O caso foi registrado na 89ª Delegacia de Polícia, que irá analisar as denúncias. O delegado responsável, Michel Floroschk, afirmou que a diretora da instituição e a professora investigada serão ouvidas nos próximos dias.

Adicionar aos favoritos o Link permanente.