10º Encontro das Mulheres da NCST-SC encerra com mensagens de fortalecimento

Com o tema “Conectando ideias, inspirando ações: a arte de comunicar para liderar”, o 10º Encontro das Mulheres Trabalhadoras da Nova Central Sindical de Santa Catarina (NCST-SC) chegou ao fim nesta sexta-feira, 4 de abril, após dois dias de intensas trocas, reflexões e fortalecimento da luta sindical feminina.

O evento foi realizado na sede da Fetiesc, em Itapema, e promovido pela NCST-SC e Fetramesc, com apoio da Fetiesc, Feticom-SC, Fetigesc e Fitiec. Mulheres líderes sindicais de diversas regiões do estado participaram de uma programação pensada para fortalecer a presença feminina nos espaços de decisão e ampliar a comunicação como ferramenta de liderança.

Primeiro dia: voz feminina e protagonismo

Logo após a solenidade de abertura, o primeiro dia teve como foco o protagonismo feminino e o poder da comunicação. A vereadora de Criciúma, Giovana Mondardo, conduziu a palestra “O papel da comunicação e das redes sociais na política”, reforçando que estar fora das redes sociais hoje é estar fora do mundo. Com base em sua própria trajetória, ela destacou como o uso estratégico da internet pode aproximar a política das pessoas e dar visibilidade às pautas sociais.

Na sequência, o painel “O poder da voz feminina” reuniu lideranças como Kátia Regina Cardoso, vice-presidente da Fetramesc, Jaciara Machuga, comunicadora popular, e Marli Leandro, presidente do Sintrivest Brusque. Mediadas pela vereadora de Brusque, Bete Eccel, as falas emocionaram o público e mostraram que ocupar espaços de fala e decisão é uma conquista diária que só se mantém com organização e coragem. “Nada nos foi dado de graça. Estamos aqui porque outras lutaram antes. Cabe a nós seguir”, afirmou Marli.

Segundo dia: mente, corpo e comunicação

A sexta-feira foi marcada por autoconhecimento e prática. A especialista Cristiane da Luz Oliveira conduziu a palestra “Neurocomunicação: gerando conexões com o cérebro humano”. De forma provocadora e envolvente, ela questionou quantas ideias e projetos são silenciados por medo ou insegurança, e reforçou que comunicação é construção diária — do gesto ao discurso. “Seu corpo comunica o que você sente. Falar não é comunicar. E comunicar bem é uma habilidade que pode (e deve) ser treinada.”

A atividade também propôs práticas reais: as participantes foram incentivadas a gravar vídeos e se expressar nas redes sociais, enfrentando seus medos e reconhecendo o valor da própria voz.

Encerramento com recado direto: organização e coragem para mudar

A cerimônia de encerramento contou com a presença da deputada federal Ana Paula Lima, que fez uma fala contundente sobre os desafios enfrentados pelo movimento sindical brasileiro nos últimos anos. “Vivemos grandes prejuízos com a reforma trabalhista e, depois, com a reforma da previdência. A organização sindical é fundamental para resistirmos e avançarmos”, destacou.

A deputada citou o exemplo da Islândia, onde, após anos de desigualdades, as mulheres decidiram parar por um dia — não fizeram café da manhã, não levaram os filhos à escola e se reuniram em praça pública. “Aquele dia foi um marco. A Islândia mudou. E isso só aconteceu porque as mulheres se organizaram. Por isso, o dia de ontem e de hoje de vocês é tão importante: é tempo de parar, refletir e se reorganizar”, afirmou.

Ana Paula também mencionou pautas urgentes, como a ampliação de creches, escolas em período integral e o fortalecimento de políticas de maternidade. Lembrou ainda da recente aprovação da lei que garante trabalho igual, salário igual, e lamentou que deputadas mulheres tenham votado contra. “Santa Catarina é um estado rico, e ainda assim, 29,3% das mulheres ganham menos que os homens. Temos muito a conquistar.”

A parlamentar abordou também o papel da comunicação como instrumento de luta, tanto para o movimento sindical quanto para a sociedade. Citou o debate em torno da regulamentação das redes sociais e os impactos negativos da exposição infantil e da violência propagada nesses ambientes. “Mas o evento de vocês trouxe luz. Falamos de coisas boas, da comunicação das mulheres, de nos organizarmos. Comunicação é também forma de resistência”, reforçou.

O presidente da NCST-SC, Izaias Otaviano, agradeceu a presença de todas e celebrou a força do evento, que chega à sua décima edição. Ele destacou o desejo de levar esse formato de encontro para mais regiões de Santa Catarina, ampliando o acesso das mulheres à formação sindical. “É emocionante ver tantas mulheres comprometidas com a luta e com a continuidade desse projeto. Agradeço profundamente à comissão organizadora e a todas as mãos que fizeram este evento acontecer”, declarou.

A vice-presidente da Fetramesc, Kátia Regina Cardoso, também enalteceu a relevância do Encontro. “É uma honra para a Fetramesc estar junto com a NCST-SC nesta ação. O que vivemos aqui nesses dois dias é inspirador. A comunicação, a escuta, o afeto e o comprometimento das mulheres presentes mostram o quanto somos essenciais na luta sindical”.

Fonte: Assessoria de Imprensa – Comunicar Jornalismo

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