Marido usou celular da vítima para simular que mulher estava viva

Após o desaparecimento de Elane da Silva Rodrigues Inácio, 36 anos, em janeiro deste ano, o companheiro da vítima, Marcelo Inácio da Conceição, 41, utilizou o celular e o chip da mulher para simular que ela ainda estava viva, tentando despistar familiares e amigos. Marcelo chegou a responder a mensagens enviadas a Elane, incluindo um “parabéns” escrito pela filha mais velha, de 17 anos. Em resposta, o suspeito respondeu apenas um “obrigado”, o que provocou estranheza entre os familiares.

Marcelo foi preso temporariamente, suspeito de ter matado Elane. As investigações da 16ª Delegacia de Polícia de Planaltina apontam, também, que ele alegou ter conversado com a mulher. “Falei hoje pela manhã com ela”, teria dito, na tentativa de reforçar a falta ideia de que a vítima estava em contato com ele.

O desaparecimento de Elane foi formalmente registrado em 22 de março. Durante as investigações, Marcelo alegou Elane teria cometido suicídio, exigindo, ainda, que ele a enterrasse em um local escolhido por ela, sob a ameaça de que, caso ele se negasse, ela “mataria os filhos do casal”.

Essa versão foi considerada inconsistente pelos investigadores, por dois motivos: primeiro, porque o instrumento utilizado pela vítima para supostamente tirar a própria vida – nessa versão, uma corda – não havia sido encontrado. O segundo motivo foi o galho da árvore apontado pelo suspeito como ponto do autoextermínio de Elane, que não sustentou o peso no teste de força feito pela perícia.

Após uma denúncia anônima, a Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF) localizou o corpo de Elane próximo a uma parada de ônibus, em um desnível de terreno utilizado para desvio de água pluvial, coberto com terra e cal, substância usada para acelerar a decomposição e minimizar odores. Devido ao avançado estado de decomposição, a causa da morte não foi determinada. O corpo foi encaminhado ao Instituto Médico Legal (IML), e o laudo pericial deve ser concluído em até 30 dias.

A prisão temporária de Marcelo pode ser prorrogada por mais 30 dias após a audiência de custódia, agendada para esta sexta-feira (4/3). De acordo com os investigadores, ele estava se preparando para fugir para o Mato Grosso. Até a última atualização desta reportagem, o marido não havia confessado o crime nem demonstrado qualquer tipo de arrependimento.

Elane e Marcelo haviam se mudado de São Paulo para o Distrito Federal cinco meses antes do ocorrido, com os dois filhos do casal, de 1 e 9 anos. Elane também era mãe de uma adolescente, de 17 anos, fruto de um relacionamento anterior. A família morava em uma chácara no Assentamento Oziel, comunidade rural em Planaltina.

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